Parabéns, Karina!

Eu conheço a Karina desde que ela tinha 16 anos e eu 17. Na época, tocávamos num banda de meninas chamada Punkitas. Os pais não queriam que ela tivesse banda, então os ensaios rolavam de uma maneira superclandestina e olhando para trás, bem divertida. As vezes no meio do ensaio, tocava o celular e ela mandava todo mundo fazer silêncio enquanto dizia: “Tô no shopping, mãe!” Mas nós éramos jovens, inexperientes e tínhamos um geninho do cão, o que acabou levando ao fim da banda.

Um ano depois, ela me chamou para tocar em outra banda. Dessa vez, eu, particularmente, achava que ia mudar o mundo. Mas o que mudou foram as nossas vidas. Com pouco tempo de banda, todos os integrantes (que incluia um menino, coitado, preso no meio de garotas punks de TPM) entraram na faculdade e descobriram que pela primeira vez na vida teriam que perder noites e noites estudando. A banda não teve um fim definido, mas foi ficando cada vez mais difícil de encontrar tempo para ela.

E num tempo de agendas de telefones virtuais em celulares, acabei perdendo contato com a Karina junto com o meu Motorola Vulcan. Ficamos uns 3 ou 4 anos sem saber uma da outra.

Eis que um dia eu a vi, parada em frente a um edifício de escritórios no centro do Rio. Ela, de roupa social e maquiada, saindo de uma entrevista de emprego; eu de all-star e camiseta acompanhando meu namorado na compra de uma placa-de-vídeo-fodástica-pra-jogar-online. Confesso que, apesar do alento de reencontrar um pedacinho do meu passado, me senti também inapropriada vendo que ela “crescera” e eu não. Trocamos contatos e seguimos nossos caminhos.

Alguns dias depois, no msn, fiquei decepcionada ao saber que Karina tinha esquecido a guitarra num canto do quarto e achava que ter banda, naquele momento, era “nada a ver, pô!”. Estava até pensando em vender o instrumento. Doeu fundo na minha alma. Para mim, que estava desesperada para arrumar uma banda, ver que alguém com quem eu havia compartilhado um sonho havia “saído dessa” era um soco na boca do estômago. Mas não sei dizer se o que eu sentia era mais por causa da negação dela ou da minha. Ela renegava o passado enquanto eu me recusava a crescer.

Mas resolvi insistir um pouquinho, e já estava quase desistindo, quando – SURPRESA!!! – ela é que acabou me convidando para tocar numa banda que ela achara pela internet. E, cara, ela entrou de cabeça! Assumindo mais riscos dessa vez do que quando éramos adolescentes, como se não tivesse nada mais a perder.

Então hoje, querida, eu te dou os parabéns não apenas pelo seu aniversário de 24 aninhos; te dou os parabéns por manter viva sua criança interior, por se manter fiel à sua essência e por ser TROO PRA CARALHO!!!

Um grande beijo e não deixe o monstro coorporativo te engolir.

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Uma resposta to “Parabéns, Karina!”

  1. Li bem depois de ser postado…mas sempre é tempo de dizer…FODA PRA CARALHO…

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